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Enquete

O que falta para o Brasil se tornar uma potência olímpica no atletismo?
 

Mural de Recado

elivan carneiro
16/10/2014 às 21h39
func publico
joao pessoa Pb

diga amigo gladson gostaria de desejar muita paz saude nao so pra vc como todos os seus familiares aproveito tb para parabenizar seu grande trabalho em prol do atletismo. Atenciosamente Elivan(ciclistaUltramaratonista natural de BananeirasPb residente em [...]

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A solução para o esporte brasileiro, um novo conceito: O atleta, o clube, assessoria e a entidade esportiva trilógica.

Para que haja uma mudança significativa no esporte, faz-se necessário uma modificação na própria estrutura que rege o esporte brasileiro e mundial.

Primeiramente, gostaria de definir o que chamo de atleta trilógico. Este se caracteriza por apresentar uma atitude de constante esforço, afeto e humildade. Humildade no sentido de perceber e aceitar os erros que comete. O atleta trilógico faz valorizar a arte, a beleza e a harmonia que é o esporte.

O atleta é dito trilógico por utilizar o sentimento (amor) como o fator principal e básico, pelo qual terá controle sobre seu pensamento e ação. Através do sentimento como base, o indivíduo pensa e age corretamente, perfazendo assim a trilogia, três características em um só indivíduo.

Norberto Keppe percebeu que o ser humano é composto por está tríade: sentimento, pensamento e ação. Mas só é trilógico o indivíduo quando está voltado somente para o bem.

Entretanto, para que o atleta trilógico possa existir em toda sua integridade, é preciso que o próprio esporte mude. Ou melhor, que ele seja praticado, dirigido e organizado por aqueles que mais estão envolvidos neles: os atletas.

A exemplo das empresas trilógicas, poderíamos desenvolver, então, os times e clubes trilógicos, nos quais seus dirigentes seriam pessoas que estão diretamente relacionadas com o próprio esporte.

Na empresa trilógica valoriza-se não o capital, como as empresas tradicionais o fazem, mas o próprio trabalho de seus envolvidos. Nela o capital não atribui poder a quem doou, serve simplesmente como um empréstimo pago com o trabalho de seus funcionários.

Nas empresas trilógicas todos são donos; não há patrão nem empregado. Evidentemente, deve existir um líder (escolhido pelo grupo todo, devendo ser o mais equilibrado e capaz), mas este deve procurar ouvir a opinião de todos em igualdade de condições. Além disso, todos os trabalhadores devem submeter-se semanalmente a um grupo de conscientização, onde serão apontados as atitudes errôneas que adotam, para que não reprimam o desenvolvimento da empresa (em nosso caso dos clubes, e de forma mais ampla, do esporte).

Um dos primeiros pontos extremamente positivos que há neste tipo de empresas é o acentuado decréscimo dos conflitos existentes entre empregados (atletas) e empregadores (“dirigentes”, técnicos, etc.).

Com essa nova estrutura, haverá um maior desenvolvimento do atleta, clube e do esporte, pois o atleta sentirá maior liberdade em se expressar, e em demonstrar a arte infusa em seu interior.

Não se sentindo explorados e manipulados, os atletas terão maior entusiasmo nos treinamentos, se dedicarão mais, e o que é mais importante: diminuirá sensivelmente qualquer tipo de manifestação patológica no esporte (agressão, corrupção, suborno, dopagem etc). O atleta continuará tendo a obrigação de ganhar, mas pelos meios reais e honestos, pois seus companheiros não permitirão que os mais desonestos façam o que bem entendam.

Está possivelmente, é a única solução que vemos para a melhoria definitiva do esporte dito profissional.

Acreditamos, portanto, que o único meio realmente eficaz de fazer do esporte novamente afetivo, verdadeiro e belo é fazer com que o atleta (s), isto é, aqueles que tem o espírito do verdadeiro atleta una-se e desenvolva seus próprios times, possuam suas próprias federações e confederações; realizem seus próprios campeonatos, escolham seus próprios regulamentos e juízes. Enfim, tudo no esporte deve estar voltado a beneficiar a eles próprios e ao público, única e tão somente, e a mais ninguém.

O público quer ver espetáculos bonitos, quer ter exemplos honestos, dignos de um verdadeiro atleta, e não essa balburdia que vemos atualmente nos esportes, onde os atletas, o povo e o próprio esporte são manipulados e abusados como bem entendem alguns, sem proveito de ninguém, especialmente daqueles que estão mais envolvidos neles.

Com certeza, o público passará a prestigiar mais o esporte feito pelos próprios atletas pois, sem dúvida, serão mais apreciáveis. Os torcedores chegarão mesmo a boicotar os grandes campeonatos, porque não mais os atrairão (a exemplo do que irá acontecer na sociedade com as empresas trilógicas, nas quais o povo lentamente passará a fazer suas compras nessas empresas mas honestas devido ao seu melhor produto, boicotando a compra em empresas tradicionais).

A mudança radical que pode advir no esporte é em todos os sentidos. Mesmo a vida útil do atleta será mais longa. Quantos atletas no auge de suas carreiras foram obrigados a deixar de competir devido a lesão ocorridas nas disputas? Isto será quase que totalmente evitado no “esporte trilógico” onde não haverá praticamente atletas contundidos, pois a agressão será totalmente controlada e impedida nos campos esportivos. No entanto, se caso ocorrer lesões que impossibilitem ao atleta de competir por algum tempo ou para sempre, a estrutura do esporte, agora montada para beneficiar o atleta, criará meios que efetivamente garanta-lhe viver condignamente. O atleta terá todo o apoio que necessita para se recuperar e voltar a jogar, ou trabalhar em seu próprio clube em uma outra função (necessária, evidentemente, ao esporte).

Além disso, este sistema não desperdiçará anos de experiências de ex-atletas (como ocorre no método tradicional), pois estes serão reaproveitados de forma mais efetiva pelos clubes e outras entidades ligadas diretamente ao esporte.

Este novo sistema evitará, também a compra excessiva de atletas que se destacam em outros times. A compra de valores até certo ponto, é uma forma assumida pelos clubes mal administrados para não prepararem e apoiarem atletas iniciantes. Evidentemente, é muito mais fácil comprar atletas já de renome para fortalecer suas equipes do que criar uma infra-estrutura suficientemente capaz de desenvolver novos valores. Os clubes administrados por pessoas preocupadas com o desenvolvimento do atleta e do esporte pode resolver, ou mesmo amenizar de forma significativa também este problema.

Precisamos fazer com que o esporte tenha cada vez mais exemplos nobres, belos, que o dignifique cada vez mais como arte. É preciso que ele se enriqueça de exemplos como o ocorrido nas Olímpiadas de 1896 onde o interesse único e exclusivamente no lucro não exista. Nesta olimpíada, o francês Leon Flameng e o grego G. Kolettis (ciclistas) haviam deixado os outros concorrentes da prova de 100 quilômetros atrás e estavam disputando acirradamente a medalha de ouro. Ao quebrar a bicicleta de Kolettis, próximo à linha de chegada, Flameng parou e esperou que o grego conseguisse uma nova. Só então recomeçaram a corrida. Os torcedores gregos que prestigiavam a prova, aplaudiram ao atleta francês por sua bela atitude, que no final acabou vencendo-a.

O interesse somente no lucro impede qualquer manifestação de afeto entre atletas, torcedores e mesmo dirigentes. Não haveria qualquer necessidade em mencionar que em nossa época este episódio acima narrado provavelmente jamais aconteceria (Exceto: Vanderlei C. Lima em Atenas 2004); pois a maior motivação dada ao atleta não são mais as medalhas ou os troféus, mas o dinheiro, o que é possivelmente o maior erro de nossa sociedade.

Finalmente, gostaríamos de convocar todos os atletas que percebem essa exploração em seu trabalho e que desejam ver o esporte ser praticado como arte, que procurem comunicar estas descobertas a outros atletas também idealistas, para que as idéias contidas neste livro não sejam, abafadas ou permaneçam no campo teórico.

Fonte Original: Esportes: Afeto ou Agressão?

Uma visão revolucionária do mundo dos esportes. - Luís Carlos Salomão.

Pag. 181 h.5. O atleta e o Clube Trilógicos.

Trabalho e Capital: Norberto R. Keppe - Social Scientist.

Editado por Gilmar P. Ramos. (Webmaster)